Terça-feira, 18 de Novembro de 2008

PSD Perdido

Confesso que a certa altura senti-me atraído pelo PSD por ser garante de alguma coerência e seriedade, mas dois episódios seguidos é demais:
  1. O PSD do Faial denunciou esta manhã o "esvaziamento político da ilha", alegando que o novo governo regional "é o segundo do partido socialista a ficar na História por não ter membros naturais ou residentes no Faial", pelo que o executivo "não terá nenhuma voz conhecedora da realidade económico-social e cultural desta zona do arquipélago", disse Luís Garcia, em conferência de imprensa. (...) Para o social-democrata "sem secretários regionais, com menos uma direcção regional e sem a presidência do parlamento, o lugar dado ao Faial no equilíbrio dos poderes regionais é agora claramente secundário, não tendo qualquer importância prática na vida quotidiana da ilha e dos Açores", lamentou o líder do PSD local. (...) in nota de imprensa.
    O aproveitamento político da querela no interior do PS é triste, parece que o partido não tem discurso além das pequenas provocações. O PSD Faial a vir falar em esvaziamento político é mote para a abertura da mais decadente discussão da política açoriana,o peso das ilhas e a sua importância política. Enquanto não se ultrapassar esta discussão que não nos leva a lugar nenhum, nunca poderemos querer ser Povo Açoriano devido aos bairrismos. Também acho que há assimetrias, mas de desenvolvimento e de importância estratégica na política, no entanto passar isso para o debate político é triste. Segundo o PSD Faial teria de haver um secretário de todas as ilhas. Ou os Açores deixam de olhar para a naturalidade dos políticos, ou o desenvolvimento harmonioso será sempre uma miragem. Começa mal o PSD pós eleições...
  2. "E até não sei se a certa altura não seria bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia" Manuela Ferreira Leite via Público.
    MFL começa a perder o controlo da sua actuação e já não consegue medir e preparar ao pormenor todas as suas aparições públicas. A deixa, mesmo descontextualizada e sendo apenas uma hipótese é miserável para uma líder de um partido que se diz social-democrata. Colocar a hipótese a vida democrática do país, mesmo por simples sugestão é um cenário que pensava arrumado desde 1976. A continuar este discurso, é provável que perca muito eleitorado e é uma deixa daquelas que o PS é especialista em retirar proveito, em especial Sócrates.